sábado, 21 de fevereiro de 2009

Repetidamente

"Se eu não te amasse tanto, não existiriam motivos para a descontentação" - ele disse.

E ela suspirou, sem ao menos averiguar o que havia sido dito.

"Fica comigo?" - ela o indagou.

"Para sempre" - disse ele beijando-a na testa.

As lágrimas se secavam à medida em que um beijo fazia pulsar o coração.

E as duas últimas palavras ditas, tornaram mais veloz a pulsação.

Olhos se beijam, e as bocas a se olhar, e o desejo de ficar, de amar.

Uma Certa Cora

Corra Cora, olha a hora!
O trem já vai passar
Oh Cora, não se vá embora
Fique até o Sol raiar

Oh Cora, sonhe bem alto
um dia, acordará num salto
Vai menina, troque essa roupa
Não saia assim, sua hippie louca

Indefinível Cora,
não se vá em boa hora!
Ilumine minha alma
Fique perto, anseie calma

Exótica e forasteira,
Cora, menina-mulher guerreira
Transborda alegria, exala beleza
Senta no bar e bebe cerveja

Delírios com um lápis na mão
Loucura certa, à medida da emoção
Cora, sua mente é insana
suas idéias me levam ao nirvana!

Não perceptível pela estatura,
mas o que importa?
Perfeita e belíssima, uma moldura
Quando está perto, conforta

Oh Cora, me vês apaixonada
À medida em que olho o seu ser
Ah Cora, estou alucinada
com sua mente graciosa do saber

Corra Cora, corra
o trem já vai passar
Corra Cora, corra
mas se quiser, pode ficar!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Exatidão Recatada

Ah! Tal raiva desperta
soar eminente, um alerta
e se camufla em versos que agem;
Quisera eu ter tal coragem!

Acate o meu almejo
Aprecie o que vejo
Sinta o timbre d'minha dicção
Confie, em nada há razão

Eleve-se à mais alta melodia
Como Bach em D Menor, ilustre sinfonia
Não presuma a mediocridade
Importune a vida à verdade

Contemple serenamente em sua filosofia
Seja veloz, busque em si a sintonia
Lucile bruscamente, a cada instante
E quando a paz não encontrar, apenas cante.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mel e Limão

Venho do mel mais doce,

mas não me teste

Venho do sonho mais louco,

mas não me acorde

Venho d'um mundo irreal,

não desiluda

Venho de uma história passada,

mas tudo muda.


Sou doce e cruel

é azedo, meu coração

e minha alma é quente

sou um chá de mel com limão.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Canto da Figueira

As idéias vêm à nossa mente
Exageramos, blefamos, mentimos
Atiçamos nossos sonhos delinquentes
A realidade, inibimos.

A paixão nos leva ao Nirvana
Sua melodia tão fina...
E essa visão tão insana
Tão doce, tão bela: cretina.

Dançamos o canto do Poeta
Gritamos os versos do desespero
E a ilusão novamente desperta
Avisto você, mensageiro

Nossos olhos vêem além do ordinário
Nossas mãos despertam o desconhecido
Vemos além de ti nesse cenário
Não vivemos em teu mundo falecido!

As mãos são máquinas a devanear
Os versos são farsas que difamamos
Teus olhos enxergam o que se deve negar
A teus sonhos e ameaças, louvamos

E em tua mentira, deliramos
És tu mensageiro, soberano
E teu universo podre ignoramos
Toda crença, toda vida, todo ano

Venha mensageiro, dê-nos tua mão suja
Esqueça essa realidade pervertida
Da realidade pútrida, fuja!
E traga sua razão esquecida

Dance o ritmo da loucura
Acredite em nossa ilusão verdadeira
Esqueça de tua vida a amargura
Colha o fruto inexistente da figueira!





Por Carol e Cora.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mundo Tomador de Tempo

Borboletas verdes no jardim
Gnomos rosas a pular
Um arco-íris lá no fim
lá aonde eu queria estar

Vejo nuvens amarelas
e gotas de neve caindo
e as violetas mais belas
enquanto avisto você sorrindo

Percebo um vento bem forte
e corro para algum lugar
olho e avisto a morte
mas ela não vem me buscar

Um dragão vermelho e dourado
observo diante à montanha
e com um olhar delicado
ele me olha, e me ganha

Corro em direção ao mar
e algo percebo nos ares
isso nunca vai acabar
é a Fada Verde dos Mares

Começo a sentir a magia
Um pó cai sobre minha veste
O meu olhar transborda alegria
e escuto alguém dizer "peste"

Os gritos e a interferência
são como ímãs pra mim
É preciso de muita paciência
Se isto é louco? Ah, sim

Peixes fora do aquário
voam como um pequeno pássaro
e um cachorro lendário
entra no mesmo cenário

Uma música soa e encanta
os lírios desmancham no ar
a moça indaga à planta
e o gato se dá a cantar

A planta responde à frieza
e chega então a rainha
"A que devo a honra alteza?"
pergunta a rosa vizinha

Árvores dançam e cantam
e as flores só querem pular
e um homem beija uma boca
que porventura quisera amar

Essa loucura é tão insana
que duvido que um dia eu vi
então abro os olhos e vejo na cama
As duas garrafas de gin que bebi.

Uma Vida

Minha vida.
Uma vida minha.
Não deixe-me cair
Agora, e nem nunca mais

Dessa vez, nessa hora
é hora de fazer o correto
E mesmo com a demora
é melhor pensar no certo

Insanidade,
uma faca
e aquela vontade
e aí, a realidade

Uma vida,
a vida que é minha
não me deixe cair nunca mais
na vontade, de não ter a realidade

Viva a verdade,
e encare a crueldade
sofra, sofra e viva
porque no final; Felicidade.