segunda-feira, 2 de março de 2009

Posso dizer?

Julga-se livre à intensidade do almejo
Se é o que se quer, e em nada, o desprezo
Liberta-se da fôrma que nem existe mais
Esconde-se do exato; procura-se a paz

Perde-se a veracidade
pois ela não pode ser vista
E a imagem que nega a verdade,
é aquela vontade não dita

Feições de desprezo e espanto,
a mudança do preto pro branco
E, torna-se um fardo insistente,
só se vê o mesmo tolo e delinquente

Direito não temos, amigo
A liberdade se escapoliu
Forçá-la enfrenta o perigo
perceba: o mundo caiu.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

BUM!

A censura não permite a sua apreciação
a vontade passa ao lado do perfume da emoção
caminhe com as borboletas, e veja o sol se pôr
depois sente-se na calçada, perguntando se isso é amor

se deixe levar pelos momentos, a brisa forte no coração
e depois de um tempo bizarro, aja sem nem ter razão
sinta acordes pulsantes nos ares, e mãos sujas à devanear
esse tempo é longo, e eu nem sequer sinto a hora passar

será que foi amor, todo esse tempo?
será uma ilusão? nunca, penso e me deito
será o ideal, andando na contra mão?
ou será a sua alma não digna do meu perdão?


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Repetidamente

"Se eu não te amasse tanto, não existiriam motivos para a descontentação" - ele disse.

E ela suspirou, sem ao menos averiguar o que havia sido dito.

"Fica comigo?" - ela o indagou.

"Para sempre" - disse ele beijando-a na testa.

As lágrimas se secavam à medida em que um beijo fazia pulsar o coração.

E as duas últimas palavras ditas, tornaram mais veloz a pulsação.

Olhos se beijam, e as bocas a se olhar, e o desejo de ficar, de amar.

Uma Certa Cora

Corra Cora, olha a hora!
O trem já vai passar
Oh Cora, não se vá embora
Fique até o Sol raiar

Oh Cora, sonhe bem alto
um dia, acordará num salto
Vai menina, troque essa roupa
Não saia assim, sua hippie louca

Indefinível Cora,
não se vá em boa hora!
Ilumine minha alma
Fique perto, anseie calma

Exótica e forasteira,
Cora, menina-mulher guerreira
Transborda alegria, exala beleza
Senta no bar e bebe cerveja

Delírios com um lápis na mão
Loucura certa, à medida da emoção
Cora, sua mente é insana
suas idéias me levam ao nirvana!

Não perceptível pela estatura,
mas o que importa?
Perfeita e belíssima, uma moldura
Quando está perto, conforta

Oh Cora, me vês apaixonada
À medida em que olho o seu ser
Ah Cora, estou alucinada
com sua mente graciosa do saber

Corra Cora, corra
o trem já vai passar
Corra Cora, corra
mas se quiser, pode ficar!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Exatidão Recatada

Ah! Tal raiva desperta
soar eminente, um alerta
e se camufla em versos que agem;
Quisera eu ter tal coragem!

Acate o meu almejo
Aprecie o que vejo
Sinta o timbre d'minha dicção
Confie, em nada há razão

Eleve-se à mais alta melodia
Como Bach em D Menor, ilustre sinfonia
Não presuma a mediocridade
Importune a vida à verdade

Contemple serenamente em sua filosofia
Seja veloz, busque em si a sintonia
Lucile bruscamente, a cada instante
E quando a paz não encontrar, apenas cante.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mel e Limão

Venho do mel mais doce,

mas não me teste

Venho do sonho mais louco,

mas não me acorde

Venho d'um mundo irreal,

não desiluda

Venho de uma história passada,

mas tudo muda.


Sou doce e cruel

é azedo, meu coração

e minha alma é quente

sou um chá de mel com limão.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Canto da Figueira

As idéias vêm à nossa mente
Exageramos, blefamos, mentimos
Atiçamos nossos sonhos delinquentes
A realidade, inibimos.

A paixão nos leva ao Nirvana
Sua melodia tão fina...
E essa visão tão insana
Tão doce, tão bela: cretina.

Dançamos o canto do Poeta
Gritamos os versos do desespero
E a ilusão novamente desperta
Avisto você, mensageiro

Nossos olhos vêem além do ordinário
Nossas mãos despertam o desconhecido
Vemos além de ti nesse cenário
Não vivemos em teu mundo falecido!

As mãos são máquinas a devanear
Os versos são farsas que difamamos
Teus olhos enxergam o que se deve negar
A teus sonhos e ameaças, louvamos

E em tua mentira, deliramos
És tu mensageiro, soberano
E teu universo podre ignoramos
Toda crença, toda vida, todo ano

Venha mensageiro, dê-nos tua mão suja
Esqueça essa realidade pervertida
Da realidade pútrida, fuja!
E traga sua razão esquecida

Dance o ritmo da loucura
Acredite em nossa ilusão verdadeira
Esqueça de tua vida a amargura
Colha o fruto inexistente da figueira!





Por Carol e Cora.