segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Vou lhe contar do amor

Vou lhe contar,
o que já contei-lhe em tempos mais funestos
Vou lhe contar,
o que sinto o vento trazer por esse mar
Vou lhe contar,
que de amor, os corações estão repletos
Mas não é sempre que se sabe demonstrar
Certa vez, contei-lhe meu sofrimento
minh'alma escapuliu-se de uma vez
O vazio quedava-se em meu peito
e a dor assemelhada à morte, não continha lucidez
A cura para a dor surgiu aos poucos,
pareciam-me arrepios da paixão
enamorei-me, como os outros tolos loucos
que vivem a vida à busca da ilusão
Pobres corações ingênuos, não sabem ao que se destinaram
almejam apenas amar, sem sequer saber se já amaram
A dor que acompanha a alegria,
que de certo acabará algum dia,
cessando a incrível melodia
que faz o coração pulsar
Porventura exista um amor que venha sozinho
é veracíssimo que este perdurará
É a raridade momentânea
e enquanto não a encontro,
vivo a vida de maneira errônea,
mudando meu nome nos pontos finais
lembro de amores de outros carnavais
Disseram-me uma vez e custei a acreditar
que cura-se um amor com outro
mas agora vivo assim, sem nem o indagar
o amor é dissimulado, um desgosto
E é por isso que quando chega o amor
já preparo-me para a dor
Agora que sei a cura,
apaixono-me, impura
E vou vivendo assim,
e cá pra mim "eu faço samba e amor até mais tarde,
e tenho muito sono de manhã"
E o amar assim é pura arte
enamoro-me numa tarde em Itapuã















quinta-feira, 27 de agosto de 2009

À procura

Quero achar a palavra
que encaixa-se indefectivelmente
ao momento em que encontro-me agora
não existe palavra decente!
não existe sequer a demora!
não existe um prevalecer do tempo!
o que existe é uma mente repleta
de palavras que soltam-se ao vento!
Achei-a num canto perdida,
palavra, palavra temida!
Aquela a qual temo a dor
A palavra perdida é amor!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Antecipando o que já vem

E aquele homem de olhos verdes,
que nunca nem mirou nos olhos meus
Sabe d'minha tristeza
Mais do que qualquer amor que já me pertenceu

E agora queria ter a fortuna
de olhar-te nos olhos,
e dizer-te o que sinto
Falta-me sorte, nem eu o sei

Escrevo, escuto e canto
mas não consigo assimilar-me
Assisto, faço e atuo
e por encenar, já não sei quem sou

É sombrio e faz-me calada
pois o nem começado
deixa-me frustarada
por já soar acabado

Não deixa acabar agora
é o seu riso que me conforta
e todo dia ao levantar-me
viraria pro lado e teria seu charme

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Amor Logrado

E quem consegue enganar o amor?
Ninguém.
O amor não é enganado,
ele simplesmente chega,
chega e vai entrando,
sente-se como se fosse íntimo,
o que de certo é.
Mas hoje digo-lhe uma coisa
quando ele aqui chegar
vou logo me esconder
atrás daquele armário,
onde guardo uma lembrança
não almejo ter de novo
que entrar naquela mesma dança
e aplaudi-lo incessamente, oh amor
Mas e se ele chegar, e faltar percepção?
Sente-se num canto, e abra os olhos à paixão!
Entrementes se for notável,
vá logo se esconder,
pois o amor é reluzente
e depois do amor vem o sofrer

Se tens tempo, fuja agora
porque só tenho a temer
ele pegou-me desatenta
e de certo, irei sofrer.

Versos pobres e realistas

Se não me queres,
não me iluda com palavras
Não forje um sentimento inexistente
apenas faça o que deveras sente

domingo, 9 de agosto de 2009

O Medo de Agora

E a decepção
assemelha-se à destruição
Sozinha deixo acontecer
E mesmo que haja a droga da cura,
O suspense irá remanescer


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ausência de Ar

Que sentimento é esse,
que me atormenta tanto?
Que timbre é esse,
que suspira o espanto?
É um vazio completo que sinto,
é um breve fascínio que canto
É a beleza horrenda, não minto
encontrar-te, oh tristeza, em pranto

Miragem caluniadora!
Que belo encanto surrado!
Encontra-se nele agora,
o encantamento jurado!

As mãos entrelaçadas não o querem dizer?
E se a paixão contínua, um dia apodrecer?
Não o sei, não o posso dizer
Um dia, quem sabe, poderei entender

Venha agora, na dança da melancolia;
Deixe agora, a parte funesta da história
E às paixões inventadas, aja com euforia.
De quem um dia, amou, e guardou na memória