segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sem Inspiração

O que fazer,

quando não se sabe o que escrever?

Como entreter,

se nem eu tenho prazer?



Jogam-se palavras,

e montam-se frases esdrúxulas

Poesias dilaceradas

Palavras mil, mas idéias fulas



Uma mente aberta

cheia de desejo

e uma fala esperta

mas repleta de desprezo


Quero expressão

sem dizer o que sinto

Quero a satisfação

mas saiba, eu minto


Toda poeta o faz,

mas por um bom motivo

aquele que quer a paz

aquele que inveja um sorriso.

Blues


O Sol bate na minha pele clara e sem proteção
Mergulho n'água, e deixo-me levar pelas pequenas ondas
Deixo-me levar pela água
Mergulho numa onda de reflexões e pensamentos muito complexos
Abro os olhos, nada vejo
Minto. Vejo o azul.
O azul da água que predomina nos meus olhos
Calma. Tranqüilidade, serenidade.
Me sinto bem. Me sinto azul.
Mesmo com essa calmaria.
A minha alma nunca negaria
a frieza de minhas palavras
e a tristeza no meu coração
e na última estação, uma luz
Hoje me sinto Blues.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Crise

É fútil, e inútil
tudo o que vemos
não me digo diferente,
mas me digo consciente

É inconsequente, o mundo como está
é tão insano, que eu nem sei como lidar
a crise aí, e o mundo abalado
nem sei, sou só mais uma desse lado

Perfumes caros,
bolsas Louis Vuitton
marcas chiques de cigarros
hospedagem em hoteis Bourbon

O inocente, retardado
gasta sem nem o ter
e esse tolo é derrotado
passando a perceber

A queda é inevitável
o mundo inteiro a chorar
e ocorre o impensável
ninguem sabe solucionar!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Leonardo

Ao seu lado,
eu desvendei um mistério
escrevia todos os dias
o segredo da paixão.
descobri a melodia,
que almejas com tom da sua voz
descobri os olhos pensantes
que sempre tive na estante,
num livro de um filósofo
que nunca li
notei os corpos dançantes,
à meia-noite num luar picante
seu jeito alucinógeno
seu rosto amargurado, sem motivo
sua boca ao desbocar comigo
nossos tempos de amigo
disso tudo, eu vou me lembrar
aprendi que a vida, se vive
você me mostrou quem eu sou
e quão boa eu posso ser,
e o quanto é bom ter vontade de viver

Enfim,
eu encontrei o meu paraíso
no meio desse inferno.



Para: Leonardo

Mediocre Perdão

Loucura momentânea,
coração acelerado, mentiras
Refúgio: as drogas
Sem vontade, sem você,
não há vontade para viver
Um perdão miserável,
vou me redimir
sem você,
não há razão nem pra sorrir
Fica comigo,
não se vá agora.
Fica mais um pouco,
isso não demora
só mais algumas palavras
serão palavras sábias,
de alguém que já errou muito,
e está aprendendo a viver
é difícil viver sozinha
ficar na minha
dias e dias
Uma desculpa ridícula,
sem nem explicação
mas não faça dessa maneira
senão tudo será em vão
Homens erram,
e passam na floricultura
se não estiver aberta
no mercado do final da rua
compra-se uma caixa cheia de chocolates,
e entrega-se para a amada
como se fizesse parte.
Mulheres erram,
e...
Não sei o que fazem.
Me sinto perdida, perdida
num desencontro de rima
Não rimo nem um poema,
que queria dedicar-lhe
mas você vale à pena
palavras pobres,
sem rimas nobres
frases soam no ouvido
mesmo sem nenhum sentido
me perdoa e entre pela porta,
assim fico tranqüila
e, termino essa rima torta.



de Carolina, para Leonardo.
É ridículo e estúpido. Mas é o que eu sei fazer. Aceita essa mediocridade.
Eu te amo, muito.
Beijo,
Cá.

Duas Palavras


Para algumas, rosas

para outras, chocolate

Para aquelas, vinho tinto australiano

Para qualquer uma, um simples adeus

Para mim, apenas duas palavras


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Lembranças do Futuro

Sento-me à frente de uma tela. Uma tela com a qual fui acostumada desde pequena. E, que para mim, não são grandes novidades. Nasci no auge da tecnologia. Não precisei, assim como meus pais e avós, me adaptar à nova Era. Eu sou a nova Era. Eu, você, nós somos o futuro. Que futuro? Que futuro é esse que é tão falado? Que é tão pensando?
Sento-me, esqueço de tudo, procuro meus óculos de meio grau de astigmatismo numa bolsa vermelha em cima de minha mesa, coloco-os: vejo o mundo. Guio aquele objeto tecnológico, chamado de computador, como se já o utiliza-se desde minha gestação, como se fizesse parte de mim. Nem penso para usá-lo, nem se quer penso. Prefiro não pensar em nada, esqueço de tudo, me isolo do mundo: enlouqueço. Fico louca na medida certa, leio Leminski. Ah! Leminski. Leio, penso, paro, penso novamente, penso no que pensar, porque não sei o que pensar, se ler já é complicado quando se trata de Leminski... Ah, queria eu ter escrito tais versos tão sabios, tão loucos, tão... Sinto um calor, uma espécie de raiva, angústia... Chega de Leminski. Há tantos loucos por aí. Leminski é só mais um.
A criatividade se perde. Não sei mais sobre o que escrever...
Talvez seja porque não tenha mais sobre o que escrever... Nesse momento. Porque sobre o que escrever, sobre o que pensar e sobre o que sonhar... Sempre haverão coisas a serem escritas, pensandas, sonhadas... Mas não agora. Agora não.
Agora chega. Chega.
Mundo insano e louco. Grite, fique rouco. Se rebele. Faça sua parte.
Se rebelar é arte.